BLOG | GREENS
Rede de apoio cientifica


Por que Médicos de Diferentes
Especialidades Devem Conhecer o Sistema Endocanabinoide
Meta Description: Descubra como o sistema endocanabinoide revoluciona neurologia,
oncologia, psiquiatria e reumatologia. Guia científico para médicos prescritores de
cannabis medicinal.
Data: 18 de junho de 2025
Introdução: A Revolução Silenciosa na Medicina
O sistema endocanabinoide representa uma das descobertas mais revolucionárias da
medicina moderna, mas ainda permanece desconhecido por muitos profissionais de
saúde. Descoberto na década de 1990, este complexo sistema de sinalização celular
regula processos fundamentais como dor, inflamação, humor, apetite e resposta
imunológica, tornando-se relevante para médicos de todas as especialidades [1].
Com mais de 1.469 municípios brasileiros já contando com médicos prescritores de
cannabis medicinal, o mercado nacional demonstra crescimento exponencial [2]. Para
médicos prescritores, compreender o sistema endocanabinoide é essencial para
oferecer tratamentos mais eficazes em neurologia, oncologia, psiquiatria e
reumatologia.
O que é o Sistema Endocanabinoide?
O sistema endocanabinoide (SEC) é uma rede de comunicação intercelular presente
em todos os vertebrados, composta por três elementos principais:
Receptores: Os receptores CB1 predominam no sistema nervoso central, regulando
cognição, memória e dor. Os receptores CB2 concentram-se em células imunológicas,
modulando inflamação e resposta imune [1].
Endocanabinoides: A anandamida e o 2-AG são neurotransmissores lipídicos
produzidos pelo próprio organismo, atuando como mensageiros químicos que mantêm
o equilíbrio corporal.
Enzimas: As enzimas FAAH e MAGL controlam a degradação dos endocanabinoides,
regulando a duração de seus efeitos.
O SEC opera através de sinalização retrógrada, onde os endocanabinoides viajam
“para trás” na sinapse, modulando a liberação de neurotransmissores e contribuindo
para a neuroplasticidade.
Neurologia: Epilepsia e Doenças Neurodegenerativas
Epilepsia Refratária: Resultados Revolucionários
A neurologia foi pioneira no reconhecimento do potencial terapêutico dos
canabinoides. O canabidiol (CBD) revolucionou o tratamento de epilepsias refratárias,
especialmente em crianças. O estudo do Dr. Devinsky com Epidiolex demonstrou que
39% dos pacientes apresentaram redução de 50% ou mais nas crises epilépticas [3].
Na síndrome de Dravet, uma forma grave de epilepsia infantil, 3 dos 9 pacientes
alcançaram controle total das crises. Estes resultados transformaram o prognóstico de
condições anteriormente intratáveis.
Esclerose Múltipla e Parkinson
O naxibimol (THC:CBD 1:1) demonstrou eficácia no tratamento da espasticidade em
pacientes com esclerose múltipla, melhorando escalas de auto-avaliação em seis
semanas [3].
Na doença de Parkinson, o CBD melhora a qualidade de vida sem agravar sintomas
motores, oferecendo potencial neuroprotetor através de mecanismos anti-inflamatórios
[4].
Oncologia: Alívio dos Efeitos da Quimioterapia
Reconhecimento Científico
A ASCO (Sociedade Americana de Oncologia) reconhece oficialmente os benefícios da
cannabis medicinal no tratamento oncológico [5]. Mais de 100 fitocanabinoides já
foram identificados, cada um com propriedades farmacológicas distintas.
Náusea e Vômito da Quimioterapia
O THC demonstra eficácia superior aos antieméticos convencionais no controle de
náusea e vômito induzidos por quimioterapia. Através da ativação de receptores CB1,
os canabinoides proporcionam:
•
•
•
•
Redução de 60-80% na intensidade de náuseas
Diminuição significativa de episódios de vômito
Melhora do apetite e ingestão nutricional
Redução da necessidade de antieméticos convencionais [5]
Dor Oncológica e Caquexia
O CBD oferece abordagem multimodal para dor oncológica, modulando vias
nociceptivas e reduzindo inflamação. Para caquexia oncológica, o THC estimula o
apetite através de receptores CB1 no hipotálamo, resultando em aumento de 25-40% na
ingestão calórica [5].
Psiquiatria: Ansiedade, Depressão e PTSD
Modulação da Ansiedade
O sistema endocanabinoide atua como modulador fundamental da ansiedade,
interagindo com amígdala, hipocampo e córtex pré-frontal. O CBD demonstrou eficácia
significativa no tratamento de transtornos de ansiedade, reduzindo ansiedade em
jovens em até 50% [6].
Mecanismos ansiolíticos do CBD:- Ativação do receptor serotoninérgico 5-HT1A- Regulação do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal- Efeitos neuroplásticos no hipocampo- Redução da neuroinflamação [6]
Depressão e PTSD
Evidências pré-clínicas sugerem que o CBD pode exercer efeitos antidepressivos através
da promoção de neurogênese e neuroplasticidade. No PTSD, pacientes relatam redução
de sintomas intrusivos, melhora do sono e diminuição da hipervigilância [7].
Reumatologia: Dor Crônica e Inflamação
Limitações das Terapias Convencionais
As doenças reumáticas como artrite reumatoide, osteoartrite e fibromialgia
apresentam desafios terapêuticos significativos. As terapias convencionais com AINEs e
corticoides frequentemente oferecem alívio limitado e estão associadas a efeitos
adversos graves [8].
Mecanismos Anti-inflamatórios
•
•
•
•
Os canabinoides exercem potentes efeitos anti-inflamatórios através da ativação de
receptores CB2. Estudos demonstram que a cannabis medicinal pode:
Suprimir citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-1β, IL-6)
Proteger cartilagem através da supressão de metaloproteinases
Modular resposta imune promovendo células T reguladoras
Reduzir infiltração de células inflamatórias nas articulações [8]
Resultados Clínicos
Na artrite reumatoide, estudos clínicos demonstraram redução de 40-60% na dor
articular e melhora da rigidez matinal. Na fibromialgia, frequentemente associada à
deficiência endocanabinoide clínica, pacientes relatam redução significativa da dor
generalizada e melhora da qualidade do sono [8].
Protocolos de Prescrição para Médicos
Avaliação Inicial
Para médicos prescritores iniciantes na cannabis medicinal, uma avaliação
estruturada deve incluir:
•
•
•
•
Histórico médico completo e medicamentos atuais
Avaliação de comorbidades psiquiátricas e cardiovasculares
Análise de expectativas e objetivos terapêuticos
Identificação de possíveis contraindicações
Seleção de Produtos
Razões CBD:THC recomendadas:- Alto CBD, baixo THC (20:1): Epilepsia, ansiedade, condições pediátricas
– CBD dominante (4:1 a 10:1): Dor crônica, inflamação- Balanceado (1:1 a 2:1): Dor severa, espasticidade, câncer
Princípio “Start Low, Go Slow”
•
•
•
•
Iniciar com doses mínimas eficazes
Aumentos graduais a cada 3-7 dias
Monitoramento rigoroso de resposta e efeitos adversos
Documentação detalhada para otimização do tratamento
Considerações Legais no Brasil
Regulamentação ANVISA
A prescrição de cannabis medicinal no Brasil é regulamentada pela ANVISA, exigindo:
•
•
•
•
Receita médica específica com justificativa clínica
Termo de responsabilidade assinado
Autorização para importação quando necessário
Acompanhamento médico regular
Aspectos Éticos
A prescrição envolve considerações éticas importantes, incluindo consentimento
informado detalhado, discussão de alternativas terapêuticas e respeito à autonomia do
paciente.
Outras Especialidades Relevantes
Pediatria
Foco principal na epilepsia refratária infantil, com considerações especiais para
desenvolvimento neurológico e dosagem baseada no peso corporal.
Geriatria
Aplicações incluem dor crônica, distúrbios do sono e melhora da qualidade de vida, com
atenção especial à polifarmácia e metabolismo alterado.
Medicina de Família
Papel crucial como coordenadores de cuidados, realizando triagem inicial e
acompanhamento longitudinal de pacientes em terapia canabinoide.
Conclusão: O Futuro da Medicina Canabinoide
O sistema endocanabinoide oferece oportunidades terapêuticas sem precedentes para
médicos de todas as especialidades. Desde o controle de epilepsias refratárias até o
manejo de dor oncológica e transtornos de ansiedade, a cannabis medicinal
demonstra potencial para transformar a prática médica moderna.
O crescimento exponencial do mercado brasileiro, com prescritores em mais de 1.469
municípios, reflete o reconhecimento científico crescente. No entanto, este crescimento
deve ser acompanhado por educação médica adequada e protocolos baseados em
evidências.
Para médicos interessados em incorporar a terapia canabinoide em sua prática, a
educação contínua é fundamental. A medicina canabinoide não representa uma
panaceia, mas sim uma ferramenta valiosa que, quando usada adequadamente, pode
oferecer aos pacientes opções de tratamento mais personalizadas e eficazes.
Referências Bibliográficas
[1] Araújo, M. et al. (2023). Mecanismo de ação dos canabinoides: visão geral. Brazilian
Journal of Pain. https://www.scielo.br/j/brjp/a/DkrHzwvf9ngstvdd89KMHjk/?lang=pt
https://kayamind.com/seo-para-medicos/
[2] Academia Brasileira de Neurologia. (2015). Cannabinoids in neurology. Arquivos de
Neuro-Psiquiatria, 73(4). https://www.scielo.br/j/anp/a/cBJ9YQppCC54HwNtJQJrbMg/